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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Senciência Animal e os filhos de Deus

Por definição seciência é a capacidade de sofrer, sentir prazer ou felicidade. Por causa desta conceituação a partir de 1997 percebeu-se que o conceito da saciência deveria ser aplicado aos animais.
Quando olhamos as Escrituras veterotestamentária vemos esta preocupação patente no Texto Sagrado.
Quando olhamos as Escrituras Sagradas temos diretrizes que nos põem na obrigação de cuidarmos da criação do Nosso Deus. Quando o Senhor Deus criou todas as coisas deu ao homem a seguinte ordem: Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Gênesis 1.26
No texto temos uma comparação: o “modus operandi” do domínio do homem deveria ser como o de Deus. É lógico que não em extensão e nem poder. Todavia, Deus deu ao homem esta possibilidade de dominar. Isto numa perspectiva pactual corresponde ao conceito da vice gerência.
Observe que no primeiro momento deste domínio não estava incluso a utilização da carne animal para consumo: Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. 29 E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. Gênesis 1. 27-29.
Vindo a ser permitida só na aliança noetica ou noatica: Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora. 4 Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis. Gênesis 9. 3-4.
A pergunta que devemos responder é esta: Por que devemos cuidar dos animais?
A Escritura nos revela que é nossa obrigação pactual.
Será que as Escrituras veterotestamentaria estabelecem algum padrão de conduta que os tementes a Deus devem ter com seus animais?
Nos 10 mandamentos especificamente o quarto temos a proibição que no dia descanso o animal trabalhasse: Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. 9 Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. 10 Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; 11 porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou. Êxodo 20. 8-11.
Observe que o motivo para seu descanso é o mesmo que se baseia o descanso do homem: o fato do Senhor ter descansado. Entretanto, sabemos que o Senhor não se cansa, isto Ele fez para que servisse de exemplo para o homem e seus animais. Percebemos então que o Senhor não trata os animais como coisas e sim como seres vivos que precisam de descanso.
A sabedoria judaica atinava para a vida de seus animais, vejam o que a Escritura diz a respeito de Salomão: Discorreu sobre todas as plantas, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que brota do muro; também falou dos animais e das aves, dos répteis e dos peixes. I Reis 4.33.
Nos Salmos temos a preocupação do Senhor para com sua criação: Tu fazes rebentar fontes no vale, cujas águas correm entre os montes; 11 dão de beber a todos os animais do campo; os jumentos selvagens matam a sua sede. 12 Junto delas têm as aves do céu o seu pouso e, por entre a ramagem, desferem o seu canto. 13 Do alto de tua morada, regas os montes; a terra farta-se do fruto de tuas obras. 14 Fazes crescer a relva para os animais e as plantas, para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão... Salmo 104. 10-14 e nos versos 21 e 22 do mesmo capítulo o Texto Sagrado nos traz as seguintes informações: Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento; 22 em vindo o sol, eles se recolhem e se acomodam nos seus covis.
No Livro de Provérbios que reflete a literatura sapiencial de Israel nos é dito o seguinte: O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel. Provérbios 12.10. Ora, nada mais lógico, somos os vice gerentes de Deus, fomos encarregados de cuidarmos da terra, de administrá-la. Atentar para a vida dos animais pressupõe cuidado. E isto se deve ao fato dos animais não serem coisas. Lembremos que as Escrituras dizem que eles possuem alma: Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Eclesiastes 3.19. Ora, não é por causa do fôlego de vida que reside em nós que temos capacidade de sentirmos: prazer, felicidade e dor? Se nosso fôlego de vida for tirado, será que teríamos capacidade de sentirmos estas coisas? È lógico que não! Então o mesmo raciocínio serve para os animais.
E só pra corroborar isto veja o que as Escrituras dizem: A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. 20 Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, 21 na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. 22 Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. 23 E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Romanos 8. 19-23.
Se aceitamos as Escrituras por Palavra de Deus e autoritativa em nossas vidas, não pode haver entre nós que maltrate animais. Pois isto é de forma clara conduta ímpia e contraria àquilo que Deus requer de nós.

Rev. Jaziel C. Cunha
Igreja Presbiteriana Conservadora do Brasil
Congregações de Arthur Lundgren I, Pau Amarelo (ambas em Paulista) e em Prazeres (Jaboatão)



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Introdução ao Estudo sobre o Reino de Deus II

No artigo anterior vimos à questão dos elementos do Reino e sua manutenção. Veremos agora a questão do propósito.
Por propósito, compreendemos a finalidade da existência do Reino. Por que Deus criou as coisas? Será que Ele necessitava criar alguma coisa? Será que o relacionamento que as Pessoas da Santíssima Trindade tinham não era suficiente em si mesmo? Será que o seu relacionamento estava comprometido? Será que uma das Pessoas precisava gerar para se auto-afirmar?
A resposta a todas estas perguntas é um sonoro: Não!
A Santíssima Trindade cria por um ato de amor. Esta relação que a Santíssima Trindade tem com a criação se manifesta num ato pericorético .
Na criação Cada Pessoa da Santíssima Trindade está envolvida.
O propósito da criação faz parte de um propósito teleológico, ou seja, um propósito bem definido com um fim em vista. A história caminha para um fim. E para que houvesse história, era necessário haver um palco para que o enredo se realizasse.
Neste palco A Santíssima Trindade manifesta seus propósitos.
Van Gruningem destaca três propósitos: “modelos e leis; maravilhas e mistérios da vida; um lar aconchegante para o ápice da criação com trabalho e descanso”
Por modelos e leis queremos enfatizar toda a sorte de leis e modelos que regem todos os elementos do Reino e toda a vida que existe nestes elementos e que deles dependem. As leis que proporcionam descobertas fantásticas na humanidade, não são leis que foram criadas pelo homem. Mas, são leis pré-estabelecidas pelo próprio Deus. E se o homem tem algum êxito nas descobertas que tanto impressiona, isto é decorrente da sabedoria de Deus em estabelecer estas leis no Reino, garantindo-lhe sua funcionalidade e seu experimento, possibilitando repetição para averiguação da determinada lei. A grandiosidade e sabedoria de Deus residem nisto. Aquilo que em épocas passadas era considerado ficção, hoje é real e palpável. E só foi executada porque os homens, mesmo que não percebam a mão do Criador, seguem os modelos de leis que o Criador estabeleceu. Por eles terem seguidos estas leis, podem ter certeza que os resultados serão atingidos. Aquilo que nós chamamos de milagres, nada mais é, do que a atuação que o Senhor tem sobre estes modelos e leis, onde Ele por ter todo o conhecimento de execução realiza as coisas. Demonstrando controle total sobre tudo. Estes modelos e leis são necessários para que o mandato cultural possa ser desenvolvido.
Além dos modelos e leis estabelecidos pelo Criador, outro propósito é demonstrar maravilhas e mistérios da vida. Este segundo propósito está relacionado de forma muito direta com o primeiro. As maravilhas e mistérios só são manifestos, justamente por existirem modelos e leis que possibilitam o aparecimento destas maravilhas e mistérios. O Senhor gerou uma complexidade de vida animal, vegetal e marinha incrível. Toda esta biodiversidade existe como manifestação das maravilhas da vida. Faz parte do mandato cultural do homem tomar conta e proteger esta diversidade. A destruição desta biodiversidade corresponde a uma completa abdicação e renegação da função do homem como vice-gerente na execução do mandato cultural. As pessoas que contemplam a criação e percebem nela todo o mistério que ela exala.. Sua complexidade. Deveriam exclamar juntamente com as Escrituras: Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Salmo 19.1
O último propósito da criação do Reino seria providenciar um lar aconchegante com trabalho e descanso para o ápice da criação. Neste ponto queria ir um pouco mais além do que foi proposto por Van Gruningem, prefiro pensar que além de ser um lar para o vice-gerente juntamente com sua esposa. O Reino também é um lar para toda a criação animal, vegetal e marinha que o Senhor criou e pôs o homem como guardador delas.
Creio que vendo desta perspectiva, a obrigação do homem fica realçada. O homem não tem o direito de explorar o lar de qualquer forma. Pois não é somente seu lar. E sim de todas as outras formas de vida que o Senhor criou.
Van Gruningem destacou a questão do trabalho e do descanso. O trabalho do homem está relacionado ao mandato cultural
Qual a finalidade do mandato cultural?
O mandato cultural é representado pelo comércio, artes, trabalho, tecnologia, escola, etc.
Sua finalidade é o desenvolvimento, a exploração da terra. Mas, exploração consciente, e a isto, o próprio texto de Gn 2.15 limita. A expressão Hr"(m.v'l.W ( e para ela “ele” governar). Tem um profundo significado, segundo o DIT a raiz básica é a de “exercer grande poder sobre” o DIT também fala de um desdobramento, que para o nosso texto, tem uma aplicação mais especifica, “tomar conta de , guardar. Isso envolve manter, ou cuidar de coisas, tais como um jardim” .
Como posso cuidar do jardim, se destruí-lo?
O Senhor me criou tanto para dominar a criação, mas também perceber que depende dela. Tenho uma relação intima com este palco. Fui formado de um de seus elementos, ou seja, da terra. Alimento-me daquilo que ela me dá e de animais que também dependem dela para viver. Tenho necessidade vital de outro elemento à água. Sem este elemento que faz parte do Reino como poderia viver? Desta forma, quando polui as águas, estou atentando contra minha própria existência e de toda a criação que o Senhor me chamou para proteger.
Outro aspecto importante é a questão do descanso
O homem foi criado no sexto dia, e a primeira coisa que esse homem fez no seu primeiro dia de vida, depois de criado, foi o descanso, e isto tem uma aplicação teológica entre a relação trabalho X descanso. Wolff diz o seguinte:
Por conseguinte, o dia de repouso se destina a lembrar ao ser humano que ele foi posto em um mundo provido abundantemente de tudo que é necessário e de muitas coisas belas. As palavras recordam o primeiro relato da criação (Gn 2. 1-3) o qual descreve, em seu estilo arcaico, que o primeiro dia da vida do se humano foi o grande dia do repouso

Qual o ensinamento disto?
Mostrar ao homem que ele deve depender do Criador, todo trabalho já foi terminado, o trabalho do homem é a manutenção, o cultivo, a guarda. Diga-se de passagem, que o Criador não depende do homem para manutenção de sua obra, pois como o texto de Hebreus nos informa é Jesus o Grande Sustentador de tudo (Hb 1.3). O homem como vice regente da criação, governa a criação de Deus, e faz isto, por um ato de condescendência do Criador, de sorte, que Deus quis ensinar que Ele é provedor de tudo e que o homem precisa descansa Nele.
As Escrituras lembram ao homem esta sua limitação, mesmo falando contra a preguiça em textos como Pv. 6. 6-11; 26. 13-16. Ela de forma antitética também diz que O Senhor dá os seus enquanto dormem Sl 127.2. Então temos duas situações:
a- O Homem deve trabalhar
b- Mas o fruto do trabalho provém do Senhor
Desta forma, estabelecemos a relação entre trabalho e descanso, o trabalho visa à glória de Deus, pois é sua ordem, dada na criação, o descanso também é ordem sua, e também visa a sua glória, pois no descanso, o homem percebe que tudo que ele pode fazer, não terá resultados esperados, se o Senhor não lhe der. Então a graça reside em trabalhar e poder descansar.
Wolff faz o seguinte comentário:
A superanbudância tira o descanso do mesmo modo que o zelo demasiado (...). O sono bom se torna o fator distintivo do ser humano que vive no ritmo das dádivas e dos chamamentos de Javé. No descanso se mostra a arte de viver, isto é, aquela sabedoria cuja peça mestra é o temos de Javé. Ela sabe que a futilidade do esforço baldado dos fanáticos por trabalho foi definitivamente substituído pela graticidade da dádiva de Javé durante o sono.

O Reino manifesta estes propósitos e como vice-gerentes regenerados capazes de cumprir o mandato espiritual temos que ter consciência que a compreensão da relação minha com o Reino de Deus também é culto a Deus.

Referências:
Pericorese trata da comunhão entre as Pessoas da Santíssima Trindade e de um movimento de amor e graça para com toda a criação.
GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação Vol. I. São Paulo-SP: Cultura Cristã, 2006 p 62 e 63
HARRIS, Laird R. JR, Gleason L. Archer. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP: VIDA NOVA, 2005p. 1587
Id. Ibid., p. 1588
WOLFF, Hans Walter. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP: HAGNOS, 2008. p. 20

Rev. Jaziel C.Cunha
Congregações Presbiterianas Conservadoras de Paulista e Prazeres (Jaboatão dos Guararapes)

Introdução ao Estudo do Reino

No Livro dos salmos no cap. 103 v 19 temos uma declaração sobre a existência do Reino. Quem está no comando e na extensão deste domínio.
O texto diz:
Yahweh nos céus fez estabelecer seu trono e seu reino em tudo reina
Temos o agente: Yahweh
Temos o local: Nos céus
Temos a extensão: Em tudo
Existem outras referências Sl. 93. 1-2; Sl 145.1;13
Van Gruningem fala dos quatro aspectos do Reino cósmico: Natureza do Reino Cósmico, Manutenção do Reino Cósmico, Propósito do Reino Cósmico e Consumação do Reino Cósmico .
Definindo o que consistia o cosmos, Van Gruningem diz o seguinte “o cosmos consistia de luz, céu, mares e terra seca”
Deus estabeleceu o homem e a mulher como vice-gerente. Faz parte da extensão do domínio, sua finalidade é o desenvolvimento, a exploração da terra. Mas, exploração consciente, e a isto, o próprio texto de Gn 2.15 limita. A expressão Hr"(m.v'l.W ( e para ela “ele” governar). Tem um profundo significado, segundo o DIT a raiz básica é a de “exercer grande poder sobre” o DIT também fala de um desdobramento, que para o nosso texto, tem uma aplicação mais especifica, “tomar conta de , guardar. Isso envolve manter, ou cuidar de coisas, tais como um jardim” .
Este reino é mantido pelo próprio Deus, esta manutenção recebe o nome preservação providencial de Deus. Herber campos traz falando a respeito da preservação providencial de Deus traz a seguinte definição: “aquela obra contínua de Deus pela qual Ele mantém as coisas que criou, junto com as propriedades e poderes com as quais Ele as capacitou”
Por esta definição percebemos que o homem só pode transformar a matéria existente por permissão de Deus. Os elementos: mar, céu, terra e luz desde o inicio já demonstravam capacidade de ser “habitat” para as mais variadas formas de vidas: vegetal, animal, marinha, humana e angelical. Esta capacidade é dada pelo próprio Deus e sustentada pelo Espírito Santo Hb. 1.3; Sl. 104 24-31; Jr 5.24. Van Gruningem sobre isto diz o seguinte:
A criação é o reino cósmico de Deus. É o domínio totalmente abrangente de Deus dentro do qual Ele deu autoridade aos homens e às mulheres em submissão a Ele; por causa disso, reinos humanos poderiam se desenvolver e se desenvolveram.

Os elementos que constituem o cosmo possuem suas próprias leis e o homem só chega a um resultado positivo quando essas leis são obedecidas. Para que haja geração de seres humanos pressupõe que haja relacionamento sexual, que ambos sejam férteis, e que no período da gestação tudo ocorra bem. Se parássemos ai, certamente cairíamos no erro deísta. Além das leis pré-estabelecias pelo próprio Deus quando as criou. O Espírito mantém a funcionalidade do cosmos, pois também é verdade que às vezes a vida humana é gerada mesmo quando as leis já mencionadas para a geração não existem. Ex: Nascimento do Cristo, não houve a relação sexual. As forças do cosmo só funcionam por causa do Espírito Santo. Van Groningem diz o seguinte:
Como Deus governa seu reino cósmico de acordo com sua vontade, e como o Espírito está continuamente presente e realiza sua função mantenedora, os aspectos e forças do cosmos funcionam, continuamente, de acordo com suas naturezas divinamente determinadas

No prefacio do livro Ensaios de Teodicéia, Leibniz diz o seguinte:
As perfeições de Deus são aquelas de nossas almas, mas, Ele as possui em ilimitada medida; Ele é um oceano, do qual apenas gotas nos são concedidas; há, em nós, algum poder, algum conhecimento, alguma bondade, mas, em Deus estão em sua inteireza. Ordem, proporções, harmonia nos encantam; (...) Deus é todo ordem; Ele sempre mantém a verdade das proporções, Ele torna a harmonia universal; toda beleza é uma efusão de Seus raios

A queda do homem trouxe distúrbios ao modo operante do reino. Entretanto, como diz Van Groningem “os efeitos da queda não alteraram o modo básico e fundamental em que Deus mantém seu reino cósmico”

Rev. Jaziel C. Cunha
Congregações Presbiterianas Conservadoras em Paulista e Prazeres (Jaboatão dos Guararapes)

domingo, 15 de agosto de 2010

Sobre Evangelização...

Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? Romanos 10.14

É fato que Deus fala através dos seus dois livros. A Criação e as Escrituras. Entretanto, só um mostra o caminho da salvação. As Escrituras. Pois falam a respeito de Jesus o Cristo.
Um conhecimento verdadeiro deveria produzir atitudes coerentes. Todavia, infelizmente não é isto que sempre se verifica. Por exemplo: a doutrina da eleição deveria produzir crentes com fervor evangelístico. Mas, infelizmente o que vemos hoje em dia é um tipo de confessionalidade estéril.
O entendimento sobre a evangelização precisa ser coerente com os ditames bíblicos. As Escrituras não autorizam um trabalho pela metade. Hoje em dia existem várias agências missionárias que fazem o Kerigma (proclamação), entretanto se esquecem da catequização. Julgam que isto deve ser feito pelas igrejas locais. Pergunto: E quando estas igrejas locais não refletem o cristianismo? Quando ultrapassam a doutrina de Cristo? 2 João 9.
Será que novos convertidos deveriam ser entregues a lugares como estes? Talvez alguém diga: Como saber se tal lugar ultrapassou a doutrina de Cristo? Respondo: Será que as Escrituras ocupam o centro gravitacional destas igrejas? Ou será que o centro são os usos e costumes e as doutrinas megalomaníacas de lideres extravagantes?
Quando a Igreja de Antioquia enviou aqueles homens (At 13) será que eles se aventuraram numa viagem paraeclesiástica? Será que eles se preocuparam em passar a fé comum dos santos?
Quando começou a ter alguns problemas no meio das igrejas gentílicas a quem foram recorrer? (At 15) Os professos eram valiosos, Cristo morreu por eles.
A obra missionária precisa girar em torno de quatro elementos que julgo imprescindível: Kerigma, Catequese, Liturgia e Eucaristia.
O Kerigma, pois é o anúncio do evangelho é o chamado externo onde os homens são chamados ao arrependimento.
A Catequese, que é a instrução para todos que foram regenerados, que tiveram o chamado interno feito pelo Espírito Santo, o qual os tirou das trevas para a luz.
A Liturgia, os santos de Deus aprendem que vida cristã é serviço a Deus. Os santos trabalham para Deus em agradecimento a tudo que Ele fez por eles.
Eucaristia, as vidas dos santos devem refletir uma contínua ação de graças. A Eucaristia é a refeição de graça. A refeição onde os santos se alimentam de Cristo espiritualmente e são alimentados por todas as graças decorrentes daquilo que o Senhor fez pelo seu povo
O Senhor chama os seus das trevas para a luz. O lugar onde os santos são edificados, recebem os sacramentos e estão sujeitos à disciplina é a Igreja de Cristo.
As Igrejas que são legitimas herdeiras da reforma que professam a bendita religião reformada tem o dever de cumprir seu papel: levar o evangelho, catequizar, levar o povo a fazer liturgia e ensinar os santos de Deus a terem uma vida eucarística.
Quem pode anunciar o evangelho do Senhor Jesus? A quem foi incumbida esta missão? Se não a verdadeira Igreja de Cristo. Aquela que não ultrapassa a doutrina de Cristo. A Igreja tem o Espírito e Ele é o Deus vivente que é o Parakleto. Aquele que testifica que o que Jesus diz é a verdade. Desta forma, quando uma comunidade dizendo-se igreja não prega o que Jesus pregou como pode ser considerada Igreja? Onde está o guiar do Espírito a toda a verdade nesta comunidade? Onde está o testemunho do Espírito?
Sendo Igreja de Cristo devemos: pregar, catequizar, ensinar o povo que a vida que eles têm é litúrgica e eucarística.
Que o Senhor desperte seu povo para a obra missionária
Rev. Jaziel C. Cunha
Congregação Presbiteriana Conservadora em Paulista

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Preconceito contra Nordestinos, Qual a razão?

Preconceito contra nordestino existe e todo mundo sabe disto. Com as vitimas das cheias nos estados de Alagoas e Pernambuco, além da ajuda humana surgiram também o ódio contra quem nasceu aqui.
O que mais me intriga nesta história toda é que o preconceito é baseado pelo simples fato do cara ter nascido numa localidade geográfica chamada Nordeste.
O que é interessante nisto é que a colonização se deu do litoral ao continente. A colonização começou pelo Nordeste, posteriormente se estende para o interior do país através dos bandeirantes e missões católicas. Então de certa forma, os ancestrais da maioria do povo brasileiro um dia passaram por aqui.
O que é interessante é que muito dos xenófobos tem ancestrais nordestinos. Se o medo é do que vem de fora, por que não temem japoneses, italianos etc.? Por que perseguem nordestinos? Qual é o verdadeiro motivo? O que é que se esconde por trás de todo xenofobia contra os nordestinos?
Este sentimento xenofóbico está presente nas pessoas que fazem a seguinte leitura: Pelo fato de vires lá de cima (nordeste) então, és um perigo para mim, podes tomar meu emprego... E por ai vai. Mas, será que isto é fato? Quantos pedreiros não ajudaram a construir os grandes prédios das grandes cidades do sudeste do país? Prédios que hoje abrigam muitos xenófobos. Quantos foram beneficiados pelos trabalhos de nordestinos decentes que foram ai para trabalhar e enriquecer a cidade com sua mão de obra, muitas vezes mal remuneradas? Zé Ramalho que o diga na sua música: Cidadão. A vaga em qualquer posto de trabalho é determinada pela competência.
A xenofobia é tão forte que muitos quando saem daqui e depois de algum tempo voltam, perdem por completo suas características. Isto se deve ao fato de serem tão envergonhados que sentem vergonha de serem identificados como nordestinos.
Esta atitude preconceituosa dos xenófobos demonstra ignorância cultural e intelectual. Quantos não passam seu tempo escutando: Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Zé Ramalho, Lenine e por ai vai?
Quantos não foram instruídos nas suas faculdades no sul e sudeste do país através das obras de Ariano Suassuna, Raquel de Queiroz, João Cabral de Melo Neto? Quantos não estudam a obra de Gilberto Freire? Só pra citar alguns. Por que perseguir os nordestinos? Se ser nordestino é ser burro e inferior, não seria uma contradição escutar cantores nordestinos e estudar obas de nordestinos?
Pense nisto: Você não é melhor do que qualquer um de nós por ter nascido no sul ou sudeste. O que nasce lá ou aqui é tão igual como qualquer outro. Não é a região que faz o homem “burro” e sim a falta de oportunidade, que pode ocorrer tanto aqui como ai.

Rev. Jaziel C. Cunha

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Como posso ser justo e bom, em uma sociedade injusta e má?

Essencialmente é impossível o Eu ser justo, há algo em mim que impede de fazer o que se deve ser feito, e quando faço o que se deve ser feito, o faço por forças externas a mim, temendo a aparente repressão sistêmica, ou seja, a que é feita pelo Estado.
Para sedimentar esses argumentos olhemos a história percorrida pela humanidade: Sempre existiram idéias maravilhosas, altamente éticas, mas, sempre a injustiça permaneceu. Tudo que Eu toco ou faço não consigo extrair o Maximo nem da coisa manipulada, nem de mim. O homem está constantemente se desenvolvendo culturalmente criando vários tipos de instituições, como por exemplo, o Estado, a Lei etc, pensando que o mesmo está chegando a níveis humanos jamais vistos, a realidade dessas transformações é aparente. Não é ontológica ou essencial.
O sistema no qual o Eu está inserido me impede também de ser justo. Suas patologias me impelem a ser corrupto, por mais que exista uma razão prática altamente elaborada pelo filosofo iluminista Kant o Eu nunca fui capaz totalmente de cumprir o que se deve ser feito, ou seja, justiça. Meus impulsos egologicos levados às ultimas conseqüências me alienam. Esta realidade essencial e sistêmica me vence na pratica, como posso ser justo e bom se essencialmente minha natureza é má e a sociedade reflete esta dimensão metafísica.
Sendo assim; não devemos cair num abismo sem fim, existe uma única alternativa e a mesma nos remete a recorremos ao absoluto, uma transformação não mais aparente e sim substancialmente, quando isso ocorrer poderei ser justo e bom, porque a sociedade não mais será má e injusta, logo seremos o reflexo de nossa natureza justa ou justificada.

Wilton Lins Junior
Membro da Congregação Presbiteriana Conservadora em Paulista
Graduado em História FUNESO
Cursando Pos graduação em Ciência Politica FUNESO
Cursando Filosofia INSAF

sábado, 22 de maio de 2010

Introdução ao Estudo do Reino III

Neste artigo vamos considerar o sétimo dia e sua relação com o escarton e o período da consumação do reino que é o período da nossa história sobre a terra, como os homens deveriam se portar no desenvolvimento dos mandatos e a extensão da revelação não verbalizada e verbalizada de Deus.
O Senhor criou tudo que há em seis dias e no sétimo descansou. Há algo importante no sétimo dia? Ele é igual aos outros dias? Por que o Senhor abençoou e santificou o sétimo dia? Os outros não eram santos e santificados?
É necessário entendermos a compreensão da relação entre trabalho e descanso?
As Escrituras dizem: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu o eu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o seu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.” (Ex 20.8-11)
Quando o Senhor deu este mandamento será que ele era desconhecido por parte dos judeus?
Não!
No próprio livro de Êxodo, o Texto Sagrado nos informa “Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele, não haverá. Ao sétimo dia, saíram alguns do povo para o colher, porém não o acharam. Então, disse o Senhora Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis? Considerai que Senhor vos deu o sábado; por isso, ele, nos sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique onde estás, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia” (Ex 16. 26-29)
O contexto desta passagem é a colheita de maná.
Qual a razão de Deus fazer tanta questão por este dia?
Será que quando Ele descansou é porque estava de fato cansado?
Não! A narrativa do Gênesis mostra-nos algo a mais. Deus nos ensina que devemos parar, devemos dar descanso tanto ao nosso corpo quanto às demais criaturas de Deus que nos servem e também a terra.
O descanso está relacionado ao mandato cultural. Quando Deus criou o homem, deu-lhe a seguinte ordem: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Édem para o cultivar e o guardar.” (Gn 2.16)
Este trabalho não seria continuo. Deus deu descanso para o homem. A própria terra também teria que descansar “Porém, no sétimo ano, haverá sábado de descanso solene para a terra, um sábado ao Senhor; não semearás o teu campo, nem poderás a tua vinha” (Lv. 25.4)
Hans Walter Wolff diz o seguinte:
O tempo do ser humano é, acima de tudo, uma dádiva. Seu trabalho se torna inútil e sem sentido, se ele esquece isso. Embora a sabedoria veterotestamentária exorte claramente a deixar a preguiça, ela previne com mais rigor ainda contra o equívoco de pensar que o ser humano seria obsequiado apenas por suas obras
Quando o Senhor pôs o homem no jardim, não o colocou para que fosse um desocupado, e muito menos que ele fosse um louco estressado, que não teria tempo para nada mais, além de trabalhar e trabalhar.
Aqui reside a graça do equilíbrio: trabalhar, mais também, poder descansar.
Não adiantaria muita coisa se o homem quisesse descansar e não tivesse como. Deus providencia um dia para que ele parasse, e dar-Se como exemplo, Ele, o próprio Deus, que não se cansa, para. Mostrando assim ao homem o que ele deveria fazer. E como vimos, não só a ele, mas a toda a criação.
A compreensão correta da relação trabalho e descanso só se dar quando temos a percepção da finalidade de cada um.
Qual a finalidade do mandato cultural?
O mandato cultural é representado pelo comércio, artes, trabalho, tecnologia, escola, etc.
Sua finalidade é o desenvolvimento, a exploração da terra. Mas, exploração consciente, e a isto, o próprio texto de Gn 2.15 limita. A expressão: e para ela “ele” governar). Tem um profundo significado, segundo o DIT a raiz básica é a de “exercer grande poder sobre” o DIT também fala de um desdobramento, que para o nosso texto, tem uma aplicação mais especifica, “tomar conta de , guardar. Isso envolve manter, ou cuidar de coisas, tais como um jardim” .

SABADO
Com isto em mente, começamos a compreender a importância do dia de descanso, a idéia contida na ordem do Senhor em Gn 2. 3 dar-se como exemplo ao homem.
A primeira parte do texto sagrado, de Gn 2.3 diz: E abençou o dia de sabado e santificou (o) visto que nele descansou).
Observe que a atitude de Deus de abençoar, separar, consagrar o dia sétimo está relacionada ao fato de ter Deus descansado. Os outros dias são abençoados? É lógico que sim! Mas o sétimo dia assume caráter diferencial. Existe uma teologia do sábado? Uma teologia do descanso?
O Senhor criou todas as coisas nos outros dias, e sua qualificação para os outros dias foi: que isto era bom. Mas, só santificou o sétimo dia. Qual a razão disto? A razão disto é que o sábado é um convite para que toda a criação se alegre em tudo que Deus fez, descansando, desfrutando e adorando o Criador. Com isto, não se quer dizer que nos outros dias o homem não deve adorar a Deus, o homem nos outros dias deve executa as tarefas próprias do mandato cultural, não deixando de se lembrar do espiritual e do social. Mas, no sábado, o homem deve parar, deve perceber que tudo girar em torno do Criador, Deus o convida ao deleite, ao descanso.
Wolff, afirma o seguinte sobre a questão do descanso
Aí temos o termo que dá seu nome ao dia do repouso no Antigo Testamento: tb;v'= parar o trabalho, cessar a atividade. De acordo com isso, deve-se passar o sábado em descanso do trabalho.
O decálogo faz menção do dia de descanso, e baseia-se na criação. Interessante observarmos aqui o caráter de continuidade, de progressividade da revelação e de sua organicidade. Em Deuteronômio 5. 15 nos é dado o seguinte motivo para a guarda do dia de descanso: Porque te lembrarás que foste servo no Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa e braço estendido; pelo que o Senhor, teu Deus, te ordenou que guardasse o dia de sábado. Mudou o motivo? Ou a idéia de descanso, também envolve a idéia de libertação?
Cremos que a idéia do descanso também envolve a idéia de libertação, este conceito é bem patente numa teologia bíblica libertária. O povo devia guardar o dia de descanso, pois como eles foram escravos no Egito e eram explorados... Deveriam guardar o dia do descanso como memorial libertário do Senhor.
O Senhor não criou nenhuma criatura para a exploração, para o cativeiro, e sim para a libertação. O texto de Romanos 8. 20-21 fala da esperança da libertação da criação. O sábado aponta para algo maior. Aponta para a libertação. Destarte, os cristãos primitivos compreenderam bem este caráter libertário do sábado, quando perceberam que o seu dia de descanso, seria o primeiro dia da semana, pois lembrava a libertação promovida pelo Senhor Jesus.
O DIT faz o seguinte comentário:
Parece que os cristãos estavam certos ao associar o dia de descanso com a lembrança da ressurreição de Cristo. É ele quem dá liberdade. Na verdade, nessa questão não há nenhum conflito real entre Deuteronômio e Êxodo. Enquanto Deuteronômio tem em vista o povo da aliança, os versículos de Êxodo dão ênfase ao Deus da aliança
O sábado assume um caráter humanitário em relação às criaturas, que neste tempo sofrem as conseqüências dos pecados do vice regentes da criação. Neste caráter humanitário os animais param de trabalhar, param de servir ao homem, que muitas vezes pagam o trabalho dos animais com maus tratos. Seis dias farás a tua obra, mas, ao sétimo dia, descansarás; para que descanse o teu boi e o teu jumento Ex 23.12 (parte a do verso).
O sábado possui também um caráter escatológico na Pessoa Bendita do Senhor Jesus, Ele é o nosso sábado, Ele é o nosso descanso, Ele é a certeza de que tudo será diferente. Neste sentido vemos a ligação intima de Apocalipse 22 com Gênesis 1-2. É a volta ao Parque das Delicias, é o gozo completo, sem exploração, sem violência, sem choro, sem Mamom e seus súditos. A nossa expectativa e da criação é ver os aspectos do Reinado de Deus manifestos na terra. Haveremos de ver uma terra restaurada com videiras, animais em perfeita harmonia. Isto é a idéia de descanso que as Escrituras nos ensinam. É de fato, a Terra Prometida, desejado por todos os santos do Antigo quanto do Novo Testamento.
Para entendermos o período da consumação e como os homens deveriam se portar durante este tempo, vamos fazer o seguinte esquema:
6 dias da criação: O Senhor cria o cosmos. O Cosmos é a sua revelação não verbalizada
Sétimo dia: Dia que aponta para o escaton. Van Gruningem diz o seguinte:
O dia deveria trazer uma grande perspectiva para o futuro. Deveria ser um tempo de receber benefícios para a vida física, moral e espiritualmente, semana a semana. O dia era para dar a segurança de ser um precursor para o dia sem fim da conclusão, o dia da consumação do cosmos. Portanto, no termo abençoado, conforme aplicado ao sétimo dia nos foi dado à grande perspectiva escatológica e a certeza de que o escaton se realizará assim como sétimo dia
O Período que vai desde o termino da criação até o último dia da nossa história é o período da consumação do cosmos: Neste período o homem deveria usar todo seu potencial para desenvolver seus mandatos. Van Grinungem sobre este período diz o seguinte:
Deus deu a Adão e Eva e a seus descendentes, o mandato de serem frutíferos de cultivar e ter domínio sobre todo o cosmos criado. Esse mandato dá a entender que a vida no reino cósmico não era para ser estática ou congelada em formas sólidas. A humanidade devia envolver-se na descoberta, na revelação e no desenvolvimento das potencialidades e substâncias, forças e leis que Deus embutiu em seu reino cósmico. Foi determinado a humanidade ser culturalmente ativa e produtiva. Fo determinada à humanidade torna-se construtora da história
A queda trouxe toda uma conseqüência ao Reino de Deus. Entretanto, o dever do homem de cumprir os mandatos ainda permanece.
Teríamos então o seguinte gráfico:
Criação foi feita em 6 dias
Sétimo dia: Aponta para o escaton que é a Restauração do Cosmos
Período Atual: Queda+Desdobramento da Aliança da Redenção Os mandatos culturais e sociais continuam se desenvolvendo, apesar do pecado. Deus chama seus eleitos que são aptos para cumprir o mandato espiritual.
Último dia: Manifestação do Senhor para restabelecimento total do cosmos, ou seja, começo do escaton

EXTENSÃO DA REVELAÇÃO CÓSMICA
Qual a extensão da revelação de Deus?
Será que o cosmos revela quem Deus é?
As Escrituras dizem que sim!
Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. 2 Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. 3 Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; 4 no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol. Sl 19. 1-4
Existem dois tipos de revelação de Deus: A não verbalizada e a verbalizada
Por revelação não verbalizada compreendemos: todo o cosmos, todas as substâncias visíveis e invisíveis, todos os seus modelos de leis, todas as suas potencialidades. Desde a menor divisão do átomo até ao mais complexo organismo vivo, tudo revela Deus. Existe uma Inteligência infinita por trás de todas as coisas. O cosmos traz a assinatura de Deus. É irracional atribuir toda a complexidade das coisas ao acaso. Isto é absurdo por si só, sendo uma completa contra indicação ao bom senso.
Deus através do ser humano se revela, o homem carrega a imagem de Deus dentro de si. A ele foi dado o domínio, foi dado à potencialidade e capacidade para desenvolver o cosmos, criando e desenvolvendo coisas a partir de substâncias pré-existentes na natureza. Ao homem é garantido que: obedecendo as leis que residem na natureza, teria êxito em suas pesquisas. Quem garante esta possibilidade de êxito? Se não o Criador Inteligente de todas as coisas? Quem dá inteligência para que o homem possa dominar os elementos, forças e potencialidades contidas na natureza? Se não o Senhor!
A revelação de Deus se manifesta dentro do próprio homem através de conceitos de justiça, moralidade que o mesmo possui. Deus como Soberano do Reino controla de forma exaustiva tudo que acontece. De sorte, que quando o homem faz algo, só faz por que o Senhor Soberano assim o quis. Quer sejam atos bons ou maus.
O Senhor quando criou o homem, criou também um jardim, um palácio real. E pôs o homem lá. Deus se agrada em manter relacionamento com sua criação. E este relacionamento é manifesto de forma verbalizada através da revelação que Deus fez de Si mesmo para este homem. Por revelação verbalizada compreendemos: As Escrituras. Van Gruningem diz o seguinte sobre a revelação verbalizada
As Escrituras são uma comunicação da revelação de Deus a nós na linguagem humana e esta, portanto, é uma revelação mais direta e superior àquela que Deus nos comunica por meio da criação muda
Esta revelação verbalizada tem alguns propósitos: Manifestar a natureza de Deus e seus atributos; Restaurar o ser humano a capacidade de obedecer aos três mandatos da aliança da criação. Produzir no homem regenerado o senso real de ser portador da imagem de Deus. Produzir no homem senso de responsabilidade com o cosmos.
Continua...

WOLFF, Hans Walter. Antropologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP: HAGNOS, 2008. p. 209
HARRIS, Laird R. JR, Gleason L. Archer. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo-SP: VIDA NOVA, 2005p. 1587
Id. Ibid., p. 1588
Id. Ibid.,p. 212
Id. Ibid.,p. 1522
GRONINGEN, Gerard Van. Criação e Consumação Vol. I. São Paulo-SP: Cultura Cristã, 2006 p 58
Id. Ibid. p. 64
Id. Ibid. p. 67

Rev. Jaziel C. Cunha
Congregação Presbiteriana Conservadora em Paulista